26.7.09

A conta por favor!


Há por aí quem diga que todos temos uma dívida para com o Partido Comunista Português. Esta dívida resulta da luta pela liberdade que os militantes comunistas levaram a cabo à trinta e tal anos. Acho que devo também alguma coisa ao D. Afonso Henriques, ao Infante de Sagres e até à Nª Sª de Fátima! Mas estes nunca me quiseram cobrar. Assim, digam-me lá quanto é que eu devo, para ver se posso pagar. Não gosto de ficar a dever a ninguém.

16.6.09

Branco mais branco não há!


Há por aí muita gente a querer apoderar-se dos votos em branco destas últimas europeias. Deixem-se disso! Os votos em branco são o que a consciência de cada um ditou e não estão para aí à mercê dos oportunistas políticos.

24.5.09

Gestão de recursos humanos


Contratava um electricista para resolver um problema de canalização? Não? Então porquê contratar um engenheiro para resolver problemas económicos?

9.5.09

Preparem-se!


Como consequência do aumento do desemprego vem aí mais assaltos, mais manifestações violentas, mais discursos populistas, mais insegurança, mais queixume de que o Estado é que tem a culpa, mais fraudes, mais fugas para o Brasil e Angola, mais impostos para os ricos que ganhem mais de mil euros por mês, mais abandono escolar, mais fuga e fraude fiscal, mais saldo deficitário da Segurança Social, mais xenofobia, mais inveja, mais trabalho infantil, mais trabalho sem direitos, mais dívidas e mais outras coisas que agora não me lembro mas que me arrisco a sentir na pele.

8.5.09

Agressões a Vital Moreira nas comemorações do 1º de Maio


Demasiados militantes do PCP e do BE não sabem viver em democracia. Se os partidos extremistas são proibidos em Portugal, então... proíba-se.

29.3.09

A descida dos Castelos


Há por aí um Castelo cheio de vida. Não. Não é o de Óbidos que esse é mais chocolate. É de Ourém e tem posts. Fanatismo partidário. Ofensa pessoal. Acusações infundadas. Algumas verdades inconvenientes. A sede de protagonismo. E ainda falta tanto para as eleições... Certamente que não era isto que as jotas deveriam formar, mas foi nisto que deram. O exemplo veio e vem de cima.

18.3.09

O sal no pãorlamento


Centenas de deputados a discutir o teor de sal no pão é ridículo. Não só pelo assunto em si mas principalmente pelos tiques de paternalismo barato tão queridos de gentinha como um Chavez ou um Mugabe.

Um recado para Hillary


Amiga; ao contrário do que disseste numa palestra para estudantes em Bruxelas, os Estados Unidos não são a democracia mais antiga. Penso que os gregos terão uma palavrita a dizer... Não?

13.2.09

A vantagem competitiva


Nestes tempos de crise mundial anunciada, Portugal e as portuguesas e portugueses têm uma enorme vantagem competitiva face a muitos outros povos; nós já estamos habituados a estar em crise. Desde sempre que estamos em crise. Possuimos um know how invejável. Temos experiência. Mais: Penso que nem sabemos viver de outra forma. Quanto a alemães, franceses, ingleses ou espanhóis, esses sim! Esses vão sentir a diferença.

26.1.09

24.1.09

Diz que...


Diz que o Sr. Durão Barroso -enquanto Primeiro-Ministro deste meu país- telefonou ao Major Valentim Loureiro para que este arranjasse forma de a Bombardier ganhar o concurso de fornecimento de material circulante para o metro do Porto. E diz que isto foi apanhado em escutas do processo apito dourado. Diz que!

Sócrates tem uma nova prioridade:


- Publicar um Decreto-Lei que lhe permita demitir os investigadores ingleses do caso Freeport.

Eu tive uma visão!


Vai uma apostinha que depois de inaugurados os novos Paços do Concelho em Ourém, vai haver necessidade de fazer mais umas obrazitas?

11.1.09

Ai jasus minha nossa senhora credo!


Perante a crise financeira anunciada e perante a ofensiva israelita na faixa de gaza, tenho ficado boquiaberto com as alarvidades que se escrevem e dizem. Das duas uma: ou são burros ou pensam que os outros o são. Por isso, por agora vou ficar à espera que as beatas da desgraça se calem ou que deixem de ter tempo de antena.

21.12.08

A 1 ano das autárquicas na Santa Terrinha


Pus-me a adivinhar o que se diz por aí:

- PSD: "Ou metem o meu filho nas listas ou não têm o meu apoio!"

- PS: "Ou metemos o Governador Civil como candidato ou nunca ganhamos"

- CDS: "Ou temos candidatos ou desaparecemos"

- CDU: "Ou é o ex-eurodeputado ou é o deserto"

- BE: "Ou aproveitamos esta maré ou, para a próxima, nem existimos"

- Independentes: "Ou temos dinheiro para campanhas ou mais vale estar quieto"

Brisanorte com bolor


Foi-me servida uma fatia de tarte com bolor na pastelaria Brisanorte. Chamei a atenção da funcionária que estava a atender à mesa. Perguntou se queria que recolhesse a fatia. Indignado, fui até ao balcão e pedi que fosse reembolsado do custo da fatia (€1,25). Assim foi; reembolsaram-me mas insistiram (sem ver) que não era bolor mas sim açúcar branco. Ora, açúcar branco com verde no meio era novidade para mim. Fui buscar a dita fatia e mostrei-a. Lá reconheceram que era bolor.

Pelo mau produto que me foi servido. Pela falta de pedido de desculpas e consequente compensação da funcionária que atendeu à mesa. E pela insistência infundada em que o erro era meu, aqui fica um testemunho negativo sobre os produtos e atendimento da Brisanorte.

3.12.08

Estás com os EUA? Tás mahal.


Encontrei um jovem indiano à porta de uma pizzaria. Enquanto fumávamos um cigarro a conversa aconteceu. Perguntei-lhe o que pensava dos recentes atentados terroristas em Bombaim. Disse-me que a culpa era dos Estados Unidos da América. Perguntei-lhe porquê. Bom falante, simpático e muito apresentável, o indiano explicou-me que, como os EUA estavam em crise queriam causar instabilidade na Índia para que as empresas indianas fossem prejudicadas...
Ainda tentei contra argumentar. Mas tinha pressa e a lavagem cerebral que lhe foi feita era muito forte.

6.11.08

Obama nas alturas


Chegou a sarvação!
Aleluia!
Obama nais artura!
Aleluia!
Barack é nosso sarvadô!
Aleluia!

Vai acabar a fome, a guerra, a inveja, o aquecimento global, o hemorroidal, a gripe e o mau-olhado.

10.10.08

Bigamia


Confesso. Sou heterossexual. Sinto-me descriminado em certos bares, galerias de arte, cinemas ou eventos culturais. Sinto-me abandonado por não haver associações financiadas pelo Estado para defender o direito à minha diferença. E ainda mais grave é que, de facto, até gosto de mulheres no plural. Sim. Sou bígamo. Sonho com o dia em que seja legal casar-me com 10 ou 20 mulheres.
Há culturas mais antigas que a nossa onde já é permitido. Enfim… vou vivendo nesta angústia de ser olhado de soslaio se, enquanto abraço o corpo belo de uma mulher, olho com prazer o corpo lindo de outra.

22.9.08

É muito texto mas é de qualidade

O ATAQUE AO "NEO-LIBERALISMO" E O BACALHAU A PATACO

«O desastre ocorrido na banca de investimento americana, da crise do subprime à falência do Lehman Brothers, passando pelas sucessivas intervenções sobre os gigantes do crédito hipotecário, a Fannie Mae e a Freddie Mac, e pela seguradora AIG, associado às crises bolsistas, tem sido pasto para inúmeros comentários. Estes são distribuídos por todo o espectro político, mas mais estridentes à medida que se caminha para a esquerda, para a esquerda socialista, já que a comunista e a extrema-esquerda alter-mundialista sempre disseram o mesmo, contra a "economia do casino", a "loucura do neoliberalismo", a "ganância das grandes empresas", a crise da regulação, a falta de intervenção do Estado no mercado, as "imperfeições do mercado", a necessidade de subordinação da "economia" à "política". E é decretado o "fim duma época", aquela em que supostamente o "neoliberalismo" triunfou impante e a abertura de outra, em que a mão pesada do Estado e dos governos vai "controlar" os mercados para lhes dar a "perfeição" que eles não têm naturalmente.
Este canto de sereia acompanha outro que também se ouve cada vez mais: o do proteccionismo. Esse clamor que se ergue contra a globalização "descontrolada", "selvagem", que ameaça a Europa de "dumping social", fazendo competir os bons e sólidos operários, com horários de 33 horas, regalias e direitos sociais, alma do "modelo social europeu", com sweatshops chinesas e indianas, onde milhões de trabalhadores vivem numa forma moderna de escravidão, exige qualquer variante do proteccionismo, fronteiras defendidas pela pauta alfandegária contra o liberalismo "selvagem".
Naturalmente, como muita gente acha, os "mercados" são maus e injustos, esquecendo-se que são os mercados que estão a acabar com o Lehman Brothers e bem, que são os mercados que estão a fazer aquilo que autores clássicos da economia liberal como Schumpeter sempre disseram que faziam, destruir, que a destruição provocada pelas crises é um mecanismo fundamental de crescimento e de inovação, de pujança do modelo económico do capitalismo. A "crise" não é o sinal da crise do liberalismo, mas sim do seu normal funcionamento, em sociedades e economias que incorporam o risco e os custos como parte do seu funcionamento normal, das regras do jogo dessa mão que Adam Smith dizia ser "invisível".
É o capitalismo cruel? Pois é, como a vida. Só que com uma diferença, os ciclos de equilíbrio e crise que sempre gerou foram aqueles que nos permitiram a enorme revolução da qualidade de vida, que desde o século XIX arrancou milhões e milhões de homens da miséria, primeiro na Europa e na América, depois na Ásia e hoje em particular na China. Obcecados pela nossa "crise", não incorporamos no nosso pensamento sobre o mundo essa verdadeira revolução na vida concreta de centenas de milhões de pessoas que se está a dar na Ásia, exactamente à custa daquilo a que, pejorativamente, chamamos dumping. E depois há uma outra verdade como um punho, que convém atirar para os olhos das sereias: não foi certamente o comunismo que fez esta revolução na vida concreta arrancada da miséria da maioria da humanidade, foi o intelectualmente vilipendiado capitalismo.
O que para mim é estranho é que nunca vi essa coisa do liberalismo, agora apodado sempre de "neo" para o separar pela palavrinha da sua tradição clássica e lhe dar os tons arrivistas da moda, ser o vencedor, o ganhador, o hegemónico, que os seus adversários dizem que foi ou que ainda é. Nunca vi o liberalismo, como ideia e como prática, ser dominante, a não ser na imaginação dos seus adversários, muito menos ter o papel de hegemonia intelectual e política que se lhe atribui. Na verdade, basta ir aos filmes de Hollywood, cheios de vilões "neoliberais", os yuppies corretores de bolsa, os inside traders, os que controlam as bolsas de mercadorias, seja do porco ou do sumo de laranja, até com Eddie Murphy, para perceber que esse período de glória do "neoliberalismo" deve ter passado ao lado da imaginação popular a não ser como prefiguração do Mal. Hollywood não fez outra coisa nestes anos de suposto apogeu "neoliberal" senão dar-nos Tio Patinhas cada vez piores.
É, nestas alturas de "crise do liberalismo", que eu me sinto mais liberal, que eu tenho mais aguda percepção de como na crítica socialista à "economia do casino" vai um preocupante pacote de restrição de liberdade para as pessoas e para as empresas, de fechamento do mundo, de paroquialismo e intervencionismo e, a prazo, muito maior mediocridade e pobreza remediada do que aquela que a queda do Lehman Brothers e dos seus parentes causa ou pode causar.
No caso português, a coisa é ainda mais alarmante, porque se mistura com o ciclo eleitoral. O que se está a passar com o "conflito" entre o Governo e as "gasolineiras", com o conveniente atiçar do "povo" contra os ricos e poderosos que lhe sugam milhões de euros para viver em plena mordomia, é, para além da encenação, um precedente perigoso para a nossa vida económica e política.
O que se passa é que o Governo do PS convive muito mal com a existência de entidades reguladoras, em particular quando elas lhe retiram a possibilidade de manipular os preços em períodos pré-eleitorais. E este "conflito" do ministro da Economia com as "gasolineiras" faz-se sob o pano de fundo ancestral da demagogia, da inveja social, o mais poderoso lubrificante do ódio popular, como se sabe. O que o ministro faz é claramente dizer que há cartel, ou conspiração para maximizar os lucros, essa tenebrosa coisa do capitalismo, e que ele e o Governo socialista nunca o permitirão. E ameaça as "gasolineiras" da fazer qualquer coisa que não se sabe o que é.
O ataque às entidades reguladoras no Governo do PS não é novo e teve um precedente com a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE). Mas, se há fragilidade na regulação, talvez seja bom o Governo perguntar-se por que razões os seus escolhidos para estarem à frente das entidades reguladoras não cumprem no seu entender as funções para que foram nomeados - até porque, em cada nomeação para uma entidade reguladora, a imprensa dá nota de que as personalidades escolhidas são próximas do Governo. Ou será, como disse Lobo Xavier, que as fragilidades da regulação vêm do facto de as entidades reguladoras passarem o tempo a lidar com pressões do Governo para interferirem na regulamentação para darem origem a preços políticos? Porque esta é que é a questão-chave: em ano eleitoral, o Governo exige preços políticos para esconder o falhanço de muitas das suas políticas, quer por demérito próprio, quer pelo efeito, durante muito tempo deliberadamente ignorado, da crise internacional.
O "bacalhau a pataco", já muito esquecido, foi o protótipo do "preço político" e depois a República, o Estado Novo, e os governos pós-25 de Abril nunca prescindiram de interferir nos preços que entendiam, distorcendo o mercado e gerando enormes despesas que mais cedo ou mais tarde tiveram que ser pagas pelo contribuinte ou pelo consumidor. O último e mais flagrante caso foi o congelamento do preço da gasolina por Guterres-Pina Moura, com o resultado de terem deixado uma factura elevadíssima para pagar. O mesmo já fez Sócrates com o preço da electricidade, levando à demissão do presidente da ERSE e substituindo-o por uma personalidade que a imprensa colocou como mais próxima do Governo.
O ataque à regulação é mais do que um ataque à regulação - é um ataque à liberalização dos mercados que essas entidades são suposto regularem. O que mexe com o Governo e lhe causa a preocupação quanto ao domínio do "económico" pelo "político" é correr o risco de ter preços altos nos combustíveis num ano eleitoral, em que precisa de ter "bacalhau a pataco". Claro que tudo isto vive de um sofisma, porque o Governo pode efectivamente fazer baixar o preço dos combustíveis diminuindo a carga fiscal que atinge cerca de 50% do seu custo. Seria um erro, mas só mostra a hipocrisia de bramar contra as "gasolineiras", como se não se pudesse fazer qualquer coisa. E, mais ainda, o Estado detém uma parte significativa do capital da GALP (8%) que também poderia ser usado como instrumento de poder. Portanto, esta encenação por razões eleitorais, alimentada pelo retorno do discurso anticapitalista, pode fazer grandes estragos à economia, andar para trás na sua liberalização e deixar um rastro de radicalismo político. Depois queixem-se se estes rastilhos populistas da esquerda... derem votos à esquerda, ou seja, ao BE e ao PCP.»

Por Pacheco Pereira

In Público